Setembro 11, 2009

Linha 347

De todas as novidades que já presenciei com minha mudança para a Capital Federal de meu país confesso que a que vi no dia de hoje foi a que mais me deixou atônito, tanto que me fez correr a vir novamente escrever uma crônica (que a muito não escrevia).

Acontece que nos dias de hoje, morando em Brasília e trabalhando no centro de Brasília (Plano Piloto), minha locomoção ao trabalho é por meio publico. Sim, vou trabalhar de ônibus. Os gastos que estava tento eu com meu automóvel para ir trabalhar, estava por demais, diante de uma miséria que espero ser passageira um, dos meios a economizar foi abandonar meu carro e passar a vir de ônibus (a empresa que trabalho paga). É mais ou menos assim que funciona: acordamos eu e a Maria às 6 horas da manha. Arrumamos-nos, tomamos um rápido café da manhã e vamos embora pro batente. Como moramos em um condomínio fechado a rua principal fica a uns quinhentos metros subindo (nem se compara com as subidas de Auriflama), devido a este pequeno trajeto ganho todos os dias uma carona de minha esposa. É uma maravilha para meu bolso, pego o ônibus praticamente na porta de casa, onde sou deixado no meu destino após cinqüenta minutos de transito. Na volta, quando estou chegando em casa, ligo para minha amada para que ela vá me buscar em um ponto combinado, isso porque o ônibus que pego para voltar é outro e passa somente próximo a cidade (satélite) que moro. Estou morando há dois anos e meio, mais que isso, quase três anos em Brasília. Cultura diferente, costumes diferentes, coisas diferentes. No começou foi um pouco estranho me adaptar a essas coisas, mas acabei me adaptando. Aqui, em Brasília e seus “arredores” diferentemente do estado de São Paulo (de onde vim), os frangos assados, são feito no meio da rua, é comum você ver uma pessoa com um tambor em brasa pontos os franguinhos para assar. Parece àquela coisa de chinês, tudo no meio da rua, é engraçado. A moradia do povo aqui também é estranha. Sabe casas de praia (Praia Grande, Guarujá, etc.), que o pessoal aluga pra passar um ou dois dias, aquelas casas tudo junto uma da outra, sem muros para separar, onde o pessoal (por ser temporada) dorme tudo um ao lado do outro. Pois é aqui na Capital é assim também. Mas as pessoas não estão aqui para passar temporadas. Garagens? É um luxo, poucos tem... Pela manha, antes do povo ir trabalhar a quantidade de carros que você vê estacionado na rua é enorme. Tudo muito estranho a olhos de um paulista interiorano que nunca saiu de sua cidade (um Jeca como dizem). São inúmeras as comidas diferentes. Aqui, tem o tal do Pequi. Uma fruta amarelada que o povo coloca no meio do arroz, carne, etc. Horrível. Quando esta sendo preparado o cheiro é por demais forte, enjoativo. Paulistas como eu, nunca ouviram dizer de tal fruta, pelo menos eu nunca ouvi dizer. Outra comida que temos aqui, essa acho que paulistas mais atualizados quanto a esse pobre Jeca já ouviram falar é o cuz-cuz (não sei se escrevi certo). É uma meléquinha, um concentrado de milho que é feito sob o vapor de uma água fervente. Provei e não gostei. Estranhos os gostos dos candangos. Outra coisa que me chamou atenção cheguei de mudança foi o sotaque do povo. Enquanto todos riam de como eu puxava o erre ao falar porta, carne, entre outras palavras, eu ficava abismado de como eles ocultavam tal letra. Claro que não estão errados, assim como eu também não estou, é regionalidade nega, país grande como nosso Brasil é assim. A exemplo o povo do sul fala o erre arrastado. Há também algumas “novidades” no transito daqui. Dizer que aqui eles não sabem dirigir não cabe a minha pessoa (vou e volto de ônibus lembra?). Mas uma coisa que eu admiro e acho legal é que aqui no DF temos a faixa de pedestre. Bastas o pedestre erguer a mão em cima de uma faixa de pedestre e o transito pára para o dito cujo passar. Tá, nem tudo são mares de rosas. Já noticiaram alguns atropelamentos, mortes e eu mesmo quase presenciei um. Uma senhora ergueu a mão e parrou, não esperou os carros pararem, por pouco quase parte dessa para uma melhor (?).

Mas... O fato que me ocorreu hoje foi estranho, cômico, propicio-me uns instantes de raiva, não bastasse, achei também constrangedor; não para minha pessoa, mas por presenciar o que presenciei. Minha adorada e também amada esposa deixou-me no ponto de ônibus (aquele em frente ao condomínio em que moro), e lá permaneci esperando o coletivo que me levaria ao trabalho, demorou alguns minutos e finalmente apontou rua acima o verdinho (é um ônibus verde). Ao entrar notei certo movimento no setor em que são destinados a pessoas idosas e portadores de deficiências, algumas mulheres ali em pé, outras sentadas, conversando muito e alto. Detalhe que o ônibus sempre passa naquele ponto com lugares sobrando, educadamente pedi licença e procurei um assento. Nos poucos metros que andamos a conversa lá na frente foi aumentando, algumas pessoas entraram e lá permaneceram, também conversando e alto. Pensei antes pegar meu livro para ler, que aquilo deveria ser uma pequena reunião de conhecidos que sempre pegam o ônibus. Senta-feira, final de semana, tudo mundo feliz da vida ponto a conversa em dia. Natural. Mais alguns metros adiante escuto: 1... 2... 3... Parabéns pra você... Havia algum aniversariante no ônibus e estavam comemorando. Tamanha algazarra seria por isso? Percebi que quem estava fazendo aniversário era uma menina de uns 10 anos que logo ia descer do ônibus. Em meio à leitura, escuto as vozes que estão altas por demais, dizendo: “vai passando, vai passando..”. Olhei. Estavam passando salgados, refrigerantes, doces e tudo que uma festa tem direito, parra os passageiros. Tinha até suco natural, chocolate quente. Preferi não comer nada apenas fui passando as bandejas quando essas chegavam até a mim. Volta e meia era interrompido de minha leitura para passa a bandeja dos comes e também os bebes. Irritei-me devido ao barulho que era muito e o fato de ser interrompido constantemente de minha leitura, coisa que eu odeio que aconteça, estava acontecendo. A dona da festa, ou a pessoa que tinha armado tudo aquilo era uma gordinha que falava mais que o homem da cobra e fala alto, como se queria aparecer, chamar atenção sei lá. Só sei que a achei muito vulgar. Ficava sempre na roleta berrando com o povo do ônibus. Decidi parar com a leitura, estava complicado por demais ler naquele ambiente. Essa mulher (a dona da festa) e outra que também falava alto (essa cantou certa vez: “hoje é festa lá no meu busão, pode aparecer...”) estavam quase pulando a roleta quando dei por conta o que uma delas tinha nos braços. Um amontoado de pano... Olhei melhor. Vi. Não acreditei. A pessoa que falava, berrava e passava os comes tinha agora nas mãos um bebe, um recém nascido, onde ela se deu o trabalho de chamar uma das passageiras e disse: “Toma, vai passando... Só não come ele não HAHAHAHA.”. Aturdido não acreditei no que via realmente a pessoa que pegou a criança, assim como mandara a mãe, foi passando, e várias pessoas pegaram o bebezinho, que inocentemente não chorava, apenas olhava a todos com os olhos arregalados. Pensei em várias coisas. Pensei na tal gripe que anda circulando por ai, que deixou todos em alerta. Pobre criança... Achei melhor ficar quieto e apenas reparar o bebe ser passado de mãos em mãos, pobre criança gordinha.

Havia outra criança nos seus 11 anos que acompanhava o bebe, pelo que reparei era irmã. Aos comentários da mãe: “Fia... Num deixa ninguém leva o Borracheiro não”, notei que era irmã do bebezinho e filha da... louca. Borracheiro era o bebe que ia de colo em colo e que nessa altura já estava no fundo do ônibus.

Por fim ergui as mãos para o céu (puxei a cordinha do ônibus) e agradeci não ter enfartado nessa viagem, quando estava chegando ao meu destino. Estou bem, acreditem. Pronto para mais uma sexta-feira. Tia, passe álcool no Borracheiro, por favor. De tudo que presenciei, todos os costumes aqui visto, acredito que esse foi o mais estranho.



Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 10:24:00
Março 20, 2009
Mãe sabe das coisas...

A primeira briga a gente nunca esquece... Deveria ter eu uns nove pra doze anos, estava na quarta serie do ensino fundamental; moleque mirrado, baixinho (como sempre) seria fácil, qualquer um “quebra a minha cara” a vergonha para esse pobre menino seria catastrófica.
Minha mãe por vezes, melhor dizendo, sempre tentou que eu fosse um futuro rapaz “corpulento” (diga-se de passagem, que nos dias de hoje meu corpo está realmente lento) sempre me dava algo para crescer e ser um homenzarrão forte e saudável. Resgatando os arquivos de minha memória lembro (não sei a idade) quando eu era uma criança pequenininha minha mãe dava ovos de pata para eu beber. O modo como era preparado eu não me lembro, não sei se era cru, cozido ou frito, porém lembro vagamente de minha mãe indo atrás dos tais ovos. Tomava, bem capaz que gostava dos danados, pois do contrário o gosto ruim não iria sair de minha memória. O tempo vai passando a criança vai crescendo e abandonam-se os ovos de pata. Em um período de tempo onde eu já não era mais uma criança tão pequena (não estou me referindo ao tamanho e sim idade, mentalidade, etc), já estava na escola, não me lembro o ano, mas já “raciocinava”, foi quando minha mãe em uma tarde aparece com um vidrinho, que nele continha um líquido preto, o abriu, pegou a tampinha onde derramou o liquido e me ofereceu: “Toma Rodrigo, vira duma vez, é pra você não ficar fraquinho, é pinguinha.”. Pinguinha? Falara isso porque o tal líquido era amargo, mas como mamãe mandou, virei de uma vez e senti queimando em minha goela, passando quemando. Pensei em nunca beber na vida, pois se a pinguinha era assim imagine a pinga mesmo. O tal líquido era o Biotônico Fontoura, e por meses segui tomando
A perplexidade de minha mãe com o Biotônico era tanta que após alguns meses tratando-me com a “pinguinha” e não vendo resultado, ela me aparece com outro vidro de Biotônio e outro vidro, este de uma cor marrom avermelhado, com uma tampinha branca, abri pra dar uma olhada, o que saiu de dentro foi um liquido branco, pastoso, dei uma cafungada, meu Deus: “Que que isso mãe?”, ela preparando uma mistura sabe-se lá de onde tirara isso: “Emulsão de Scotch, fígado de peixe, vou misturar com o Biotônico, vai ficar uma delicia, todos os dias você toma, ta bem?”. Fígado de peixe. Eu iria ter que tomar aquela meleca com fedor horrível (não sei bem se era fígado de peixe ou óleo de peixe, não me lembro a “solução”, mas o gosto era péssimo), para não desmerecer minha mãe que estava tentando me deixar saudável, com todas as forças, todos os dias antes do almoço e antes do jantar eu tomava uma tampinha de gole do que seria o meu remédio, minha “pinguinha”.
O tempo foi se passando, vidros foram esvaziando, e eu tomando, sempre meu líquido. Até que um dia, lembro perfeitamente, estávamos na companhia de meu tio João Orlando (Brucutu), apelidado de Brucutu devido ao tamanho e a “delicadeza” que tinha, era forte, alto, de voz grossa; onde fui inocentemente tomar minha “pinguinha” e o mesmo ao ver-me tomando e fazendo cara feia me questiona sobre o que seria aquilo, “Pra ficar forte, minha mãe fez uma mistura de Biotônico com Emulsão de Scotch, tomo duas vezes ao dia”, falei e fui me sentar à mesa. Foi quando meu tio pegou o vidro no qual continha o líquido pastoso e disse que queria experimentar, “Ahhh que isso, assim é fácil tomar, gostinho bom até. Quando eu tomava, no tempo de menino, tomava só a Emulsão de Scotch, isso sim, coisa pra macho... Nem sabia que existia mais...”. Fiquei olhando aquele bruta homem com o vidrinho nas mãos, notei que passara um filme em sua cabeça, várias recordações com certeza e certamente a lembrança do gosto horripilante do fígado ou óleo de peixe. Passaram-se alguns dias do ocorrido, quando eu estava em casa a pensar: meu tio com aquele tamanho todo, com aquela força toda e tomando Emulsão de Scotch quando criança, o segredo obviamente estaria no líquido. Iria eu encarar o dito cujo, sem a mistura que minha mãe sempre preparava Biotônico mais Emulsão, queria eu ficar forte, alto como meu tio, iria religiosamente todos os dias tomar o “veneno” puro, pastoso, nojento e horrível, antes das refeições. Devo confessar que com o passar do tempo a pessoa se acostuma com o gosto, se acostuma com aquela coisa pastosa passando pela garganta e tomar a Emulsão torna-se algo natural.
Nesse tempo sempre me pegava a pensar no porque minha mãe teimava em me deixar “forte” dês de quando eu era muito pequeno, uma criança. E vendo umas fotos de quando nasci acabei ligando uma coisa à outra. Quando nasci, nasci um bebe no peso e altura normal (para os recém nascidos), porém devido ao fato que eu não sei explicar alguns dias depois eu me adoeci e fiquei um bebe que só tinha cabeça, nada mais. O corpinho era muito miúdo, muito magrinho e liguei os pontos... Minha mãe certamente tinha medo que eu me tornasse um pequeno homem e sempre me dava algo para fortificar-me.
Se fiquei forte não sei, mas minha altura máxima é de um metro e setenta centímetros, penso que tanto esforço foi em vão, talvez... Mas como vinha contanto a primeira briga a gente nunca esquece...
Estávamos brincando de mamãe da rua na escola mesmo em um terreno que lá tinha. O objetivo era atravessar a rua sem que a pessoa que estivesse na rua (mamãe) nos pegasse. À medida que ia pegando ia-se acumulando mamães, onde as mamães poderiam “invadir” a calçada em que estávamos e nos arrastarem de lá, tornando-nos mamães. Estávamos brincando todos os alunos da quarta série, não me lembro quem era a mamãe, mas em meio à brincadeira um sujeito, enorme, forte, de voz grossa (não era meu tio) do nada vira e diz que eu iria apanhar na saída. “Mas o que eu fiz Flávio?”, meio que me ignorando, meio que confiante de si: “Vai apanhar, você não é o bão? Então...”. O medo correu em minhas veias e meu coração batia rapidamente já imaginando a surra que ele iria me dar. Mas e o motivo? Tentei então me aproximar daquela pessoa, “ser amigo”, conquistá-la, mas irredutivelmente ele disse que iríamos acertar os ponteiros na saída. Sempre fui uma criança que nunca causou confusão com ninguém, nunca havia brigado, era educado e gentil com as pessoas, e porque ele iria querer me bater? Minha mãe neste tempo iniciara-se como diretora de escola, estava como vice-diretora na escola em que eu estudava, poderia ser uma saída. Mas não recorri a minha mãe. Confesso, estava me borrando de medo, não de apanhar, quer dizer também de apanhar, mas também de passar vergonha... Tinha eu três horas para tentar alguma coisa: fugir da escola, matar o Flávio, me matar, fingir uma doença, etc. Três horas que passaram voando, do intervalo (recreio) até a saída. Neste dia estava eu e, mas três amigos onde volta e meia passávamos na saída da escola em um fliperama, passávamos certo tempo jogando antes de irmos para a casa. Minha mãe que estava na escola almoçava por ali mesmo, pois no período da tarde deveria estar ao seu cargo. Juntos nós quatro: Rodrigo, Camilo, Sidney e Jamil; iríamos jogar fliperama, ótimo... Seria um motivo para eu me atrasar em sair, pois teria que pedir dinheiro para minha mãe, com tal atraso Flávio com sua raiva já teria ido embora e quiçá eu estaria livre (por hoje) de apanhar. Qual o que... Peguei o dinheiro e ainda ressabiado saímos... Quando dobro o portão, quem encontro? Flávio com o seu ar de superioridade, olhando-me com uma cara de que: “De agora você não escapa”. O medo que era tanto, penso eu, fez com que eu não pensasse duas vezes... Ao ver aquela criança enorme, muito maior do que eu, na minha frente não pensei duas vezes, parti pra cima dei um empurrão, com a ajuda do peso da mochila que ele tinha nas costas, o mesmo caiu perdendo toda a guarda, esperto que fui, no mesmo instante pulei para cima dele onde comecei a socar seu rosto, sem dó nem piedade; ele tentou, em vão, sair, escapar; conseguiu puxar meu cabelos, aparentemente sendo mais forte, escapei de suas mãos e o juntei em minhas pernas onde novamente comecei a sessão de socos. Flávio levou tanto murros no rosto que não sei como conseguiu levantar-se. Vitorioso todos nesse momento me abraçaram, ao contrario do que se pode pensar, não era tido como o fortão da escola, mas minhas duas semanas de fama foram muito boa.
Já em casa minha mãe por cargas d’água resolve ir almoçar conosco onde me questiona o ocorrido... Respondo e explico tudo a ela então pude olhar nos seus olhos que minhas “pinguinhas” deram resultado. A noticia se alastrou por toda família...


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 10:56:00
Março 13, 2008
Apesar da confusão danada que se armou no decorrer do texto, tudo e qualquer palavra, tanto como a estória, fazem sentido... Digamos que o complexo de "R"...
Faz sentido, acredite!!!

rei rebelde

rumo rogando raivosamente,
raciocino rápido o rapé.
regozijo a regicida razoável.
relâmpagos relembram-me rutilante.

ralho à rapariga rani,
rapsódio recapituladamente Rimance.
respondeu rajá, rumo a renuncia.
ranzinza, relembra rusgas recentes.

rodo rindo resfolegantemente,
ricto a rinite rotineira,
revulsão rápida.
rumo a republica rapidamente.

rafado e raivoso. recapturo uma raineta
rapapéio ao rapaz que rapace,
riba ao rapadouro,
rapto raquel com realengo.

rurigena rurógrafo, ramnáceas.
rumo rápido a ramalheteira.
realista recai ao rafado.
roí a ricota ritmicamente.

revogo a ramalheteira rebeldemente,
révora é revoltoso e rezo,
reparo o reino repentino.
regugito o reide de meu reinol.


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 17:36:00
Fevereiro 26, 2008
Pum: O Grande Momento de um Namoro.
Namorar é talvez uma das melhores coisas que podem acontecer na vida de um adolescente, mais ainda se esse morar em uma cidade do interior, cidade pequena eu diria, onde não tem muito que se fazer, sendo, arrumar uma namorada pode então ser um ótimo entretenimento.
É interessante como a coisa começa, hoje em dia com a modernidade, o que não é mais segredo pra ninguém, começa-se com uma “ficada”, o meu começou assim; eu que não sou tão antigo, não consigo imaginar como se começaria um namoro sem as típicas “ficadas”. Ta... tenho certa noção da coisa, mas que deve ser estranho, isso deve. Pois bem, comigo a coisa não foi diferente, iniciei um namoro como uma das típicas “ficadas”, muito estranho a primeira vez que você “fica”, é algo meio frio, algo sem importância, a não ser que você tenha segundas intenções, no meu caso eu não tinha. E após, se não me falhe a memória, quinze dias “ficando” acabo por pedir a dita cuja em namoro, hoje minha ex-namorada, então amiga: Débora. Sim... acho algo meio estúpido de você romper os laços com uma pessoa na qual namorou, a não ser que a separação venha devido a traição ou coisa do tipo; você quer queira quer não, tem uma historia ao lado de tal pessoa, tem-se momentos vivido. No meu caso a forma que se fez por acabar o meu namoro, eu não deveria “virar a cara” para aquela que passou seis anos ao meu lado. Mas essa historia não vem ao caso, voltemos aos namoros...
Às vezes gosto de observar casais de namorados. É estranho e ao mesmo tempo engraçadíssimo como a coisa funciona, no começo do namoro quando ambos não tem intimidade um com o outro é aquela coisa respeitosa, qualquer coisa que vá se fazer é um “por favor”, “com licença”, tem que impressionar o parceiro... Com o tempo, passam-se pela fase que podemos dizer é uma das mais ridículas (quero deixar claro que apesar do termo ridículo, essa fase é uma fase muito gostosa), a fase da criancinha, ou “quíancinha” se preferirem. É aquela fase em que ambos imitam nenéns, crianças, é cômico mas é real, vai falar que você em algum namoro nunca imitou um nenê, e até birra fez... Claro que sim! Tem “nenê” que até engatinha, outros babam, a minha babava. Penso eu que tais fases são importantes, é como um nascimento, a coisa esta nascendo, vem como nenê, vai se transformando, se solidificando, você passa a fazer comidinhas logo depois; algo para se pegar mais intimidade um com outro, algo natural... Coisas do amor.
Outra coisa que eu acho interessante em namoros é o fato de que com o passar do tempo, vão-se perdendo a vergonha, a intimidade vai aparecendo e ai pronto, é nesse ponto que se descobre se um casal é ou não feito um para o outro, naquele momento em que vivem. É ai que começa as piadinhas, por vezes solta-se aquelas mais picantes, com segundas intenções. É ai que tudo começa meu amigo...
Lembro-me, nesse namoro que tive com a Débora que um dia estávamos sentados em frente a minha casa, cidade do interior, domingão, não tem muito que se fazer: chupar um sorvete, dar uma volta, conversar. Estávamos sentados um do lado do outro, quando eu lhe lanço a pergunta:
__ Mor (o “mor”, não de morfética, mas um diminutivo de amor, também já é algo que indica que uma intimidade esta começando), você não tem vontade de faze pum quando esta perto de mim?
A resposta:
__ Ah... Eu tenho, mas sei lá, fico com vergonha...
Então:
__ Não precisa ter, já estamos a dois anos juntos, acho que já passamos da fase da vergonha né? Nada a vê nenê!
E ao término de minha frase só pude escutar um estrondo, arregalei os olhos... mas foi um pum alto, puta estrondão, não imaginaria que aquele pequeno corpo fosse capaz de tamanho som, estranhei afinal ela era o então o “nenê”. Tentei segurar o riso, não queria deixá-la constrangida: ela deveria estar segurando aquele pum há tempos, pois foi à conta de eu falar e já soltou o danado. Acho que fiz bem em fazer aquela pergunta... Dei só uma risadinha, não poderia deixar barato, afinal foi engraçado... E mesmo assim ela ficou sem jeito. Normal, eu acho... o primeiro pum.
Meses vão se passando, puns vão rolando, agora também se tem os arrotos, diga-se de passagem, ela arrotava e alto também, intimidade... intimidade... Uma vez eu mais ela comendo alguma coisa na cozinha de casa, somente nós dois meu pai na sala e ela solta um puta arrotásso, um de profissional, alto, estridente...
Um – Credo Rodrigo!!! – Foi imediato. (esquecera do “Mô” (ela falava Mô, e não “mor”, também diminutivo), ou melhor, não falara de propósito, anunciara meu nome para que meu pai, que estava na sala, pensasse que eu havia dado aquele arroto fenomenal).
Eu, para não deixá-la com vergonha, assumi:
__ Ah... Foi sem quere, escapo!!!
Algo que me intriga, não sei se todos casais de namorados passam por isso é o fato de fazer coco, ela nunca, mas nunca havia feito coco em minha casa. Eu achava estranhíssimo aquilo, afinal ela ficara muito tempo lá comigo em minha casa, vez por outra ficávamos a tarde toda juntos e nunca fazia coco:
__ Por que você não faz coco aqui em casa?
Ela:
__ Ah... Eu não tenho vontade...
E assim ficou não tinha vontade então tá... Certa vez em que passamos por um perrengue danado, que nos deixou preocupadíssimo, e ela mais ainda com o intestino solto, morrendo de vergonha teve de fazer coco no banheiro de minha casa, fora a primeira e única vez se não me engano que ela fez coco em minha casa, já eu em seis anos de namoro, no máximo, fiz um xixizinho na casa dela. É assim que a coisa flui, é natural na vida de duas pessoas...
Depois creio eu que vem a fase das comidinhas... Ah... Com certeza essa fase eu adorava... Confesso que fui eu quem começou cozinhando, certa vez sem nada pra fazer eu peguei uma receita de minha mãe de esfirras, liguei comunicando: “Hoje irei fazer esfirras como aquelas que a minha mãe faz que você adora...”. Fiz, deu certinho, fico parecidíssima com a da minha mãe, ela adorou. Logo ela também não deixará barato e certa vez se pôs a fazer lanches, não puxando o saco, mas os lanches da Débora renderiam um bom dinheiro. Eram muito gostosos e tinha direito de até pedir os ingredientes desejados. Os bolos então, nem se fala... Pareciam feitos por profissionais, coisa que deixava muitas confeitarias pra trás.
Porém... Pum se vai e pum se vem e nosso namoro acaba como já lhes disse sem ressentimentos, hoje somos bons amigos e se deixar passamos um bom tempo conversando... Se um precisa de um conselho, logo se tem a quem recorrer. E com esse tempo que se passou, já a mais de um ano largados, eu a passeio por Auriflama (estava morando em Brasília na época), vou até sua casa conversar um pouco, e acreditem se quiser... Quando estou indo embora, ela me abraça, se despede e ouço aquele estrondo, aquele pum, um punzão pra ninguém botar defeito que por anos havia ouvindo... Mesmo depois de largados havia feito pum, será que ainda temos alguma intimidade? Ou os puns ficam?


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 00:10:00
Fevereiro 19, 2008
Alguns Momentos...

Seria junho, ou julho, não me lembro...
Não me importa lembrar-se do mês, e sim do fato ocorrido com João...
Da pequena Vila onde moravam eram, os, chamados por alguns: "Diferentes!". Pelo simples fato de fazer-lhes de suas vidas o que bem entendiam o fato de estarem à mercê de sociedade, diga-se de passagem, fechada, talvez por isso fossem os diferentes...
Raimundo estava no seu quarto. Era noite... A espera por tal episódio, nunca antes sonhado, estava por vir, e ele tinha de se preparar para tal. Ir de corpo presente para o espetáculo era algo que qualquer um ali na vila o faria, mas com Raimundo a coisa deveria, teria de ser diferente. Então lá estava ele em seu quarto, trancando ouvindo suas musicas favoritas, se preparando ou talvez quem sabe ensaiando... Lá fora o mundo desaba em água apesar do mês friento, onde chuvas nesse período são raras de ocorrerem, porém, quando se tem é forte por demais. Sentado no chão, tinha a sua disposição um pequeno estilete, desses usados nas escolas pelos alunos, para apontar (afiar) a ponta do lápis, tinha também uma calça jeans que estaria ali jogada no chão dês da hora que chegara do colégio. A idéia de chocar o povo da pequena vila não lhe saia da memória; ser diferente era algo onde todos adolescentes de uma geração sonhara ser, porém Raimundo juntamente com seu amigo João deixara os sonhos de lado e, seja loucura ou não, começaram a por em pratica o que muitos diziam, loucura. Foi então que em um ímpeto Raimundo pega o pequeno e amarelado estilete, iria por em prática sua idéia, chocar talvez as demais pessoas, mostrar que não apenas iria ao espetáculo como também encarnar uma personagem. De supetão fez-se o primeiro corte, logo abaixo dos joelhos, um rasgo mesmo, não muito grande coisa de uns sete centímetros... Levantou-se, olhou de pé,esticou e viu como ficou... Ficou bom... Gostará da idéia, iria continuar... Novamente com o estilete em mãos um novo corte iria surgir, este agora acima dos joelhos na coxa, mas este, diferentemente dos anteriores só teria na perna direita e um pouco maior, resolvera fazer deste um quadrado, coisa grande, mas não muito. Novamente de pé a fim de analisar a obra, esta ficando bom... Muito bom... Precisara agora fazer alguns efeitos algo como esfolado, raspado. Somente rasgos não chocariam os demais jovens da pequena cidade, ou seja, vila. E ao som de vinte e nove, com pedras não mão, teve a brilhantíssima idéia de ir atéa rua e apanhar duas pedras, sim, duas pedras seriam mais do que suficiente para esfolar ou raspar, seja lá como prefere. Novamente dentro do quarto, agora armado com duas pedras, começa as esfoliações, estaria ficando algo melhor do que o esperado, ele guardaria este dito, segredo ate o dia do espetáculo, o dia em que todos iriam ver como se preparará para tal.
Era noite e João estudava a noite, a aula era de história Portuguesa o fato de trabalhar durante o dia não deixava João nenhum pouco animado a estudar, portanto sabia que era preciso, mas naquela aula de história ele não estava com animo para estar ali, estaria com o pensamento não no presente, mas no futuro; com o que iria acontecer na sexta-feira, o espetáculo... Era terça ainda e João estava na aula de história Portuguesa, com a professora escrevendo sem parar no quadro-negro, como se alguém ali estivesse interessado nos Portugueses. Só que João não parava um minuto se quer de escrever em seu caderno, estaria ele copiando o passado que estava sendo passado no quadro-negro? Não. Não era no passado que João estava escrevendo e sim, talvez o que pra ele seria um futuro, um sonho, algo almejado, algo esperado. Estaria João escrevendo as primeiras letras da Projeção Ardil, banda meticulosamente criada para ser um estouro, banda tão boa, talvez, desculpem-me pela comparação, melhor do que a do espetáculo. Inspirado assim como Raimundo, o amigo sem talento para a musica, João escreve... Vez por outra ri escrevendo, um riso quieto, somente imaginando o cenário de sua letra. Sonhos na ponta da caneta, ou realidade? Dissera certa vez a Raimundo em um dos points da cidade, a Caixa d'água, pra ser mais exato: "A caneta é mais forte que a espada". Um turbilhão de pensamentos inundaram a cabeça de Raimundo com tal frase; realmente João tem razão. Orgulhoso do amigo outro dia, lembra-se até hoje do local, assim como se lembram da Caixa d'água, Raimundo também recitaráuma frase que havia lido em seus livros. João estava triste e cabisbaixo nesse dia, havia levado um fora, um "não" de uma menina, para alguns, coisa normal, mas não para esses dois. Um fora era algo para ser pensado e repensado, porque ela disse não? Foi então: "As duas qualidades de um mestre: Paciência e flexibilidade.".
Gostava de ler o Raimundo, João também, mas talvez por falta de tempo; ele trabalha, não lia tanto quando Raimundo, mas lia... O que Raimundo poderia passar para o amigo era passado, sem exceções: "Paulo Coelho não é de nada! Fantoche serve pra nada. Um dia vai me entender", João apenas ouvia... O que ambos tinham em comum era o gosto pela escrita, João compunha belas canções, Raimundo sonhara ser um escritor. O gosto pela música existia e eram parecidos.
O espetáculo estaria para chegar, faltava somente um dia para sexta-feira. E Raimundo já estava pronto com seus cortes, já estaria quase com as penas toda furada e esfarrapadas, ninguém saberia até o dia do espetáculo, ninguém, nem a mãe, claro que isso iria lhe custar uns sermões de sua mãe, afinal não é qualquer adolescente que esfarrapa as pernas de uma calça jeans somente por causa de um show de rock. Esse show era um cover da extinta banda preferida de ambos, os nervos estavam a flor da pele, seria amanha o espetáculo.Como João trabalhara durante o dia e a noite estudava e o show seria numa sexta, nesse dia iria cabular aula, saíra do trabalho as seis da tarde onde dera uma passada na casa de Raimundo afim de saber o que iriam beber antes do show, claro que um show desses não poderia ser visto a olhos cru, deveria te ter uma boa dosagem de álcool, um pequeno grau de loucura, algo parecido. À noite momentos antes daquele que seria o melhor show visto por ambos, João passa na casa de Raimundo, surpreende-se com o estado em que estava a calça jeans do amigo, da uma pequena risada o abraça e diz: "Fico massa!!!".
Foram...
O choque como esperado foi grande o choque de algumas pessoas, estava ele a rigor, com sua calça modelada por suas próprias mãos e no peito uma camiseta com uma enorme foto daquele que seria o vocalista da banda. Ao contrário do que pensara sua mãe não deu o esperado sermão, apenas riu e disse que ele estaria sem calça para ir ao colégio: "Tem coragem de ir com essa?".
Foram para o show... Ao palco a figura daquele que era copia idêntica ao ídolo já morto, da banda original, estava com uma bandeira do Brasil cantado aos berros "Que País é Esse" e este, em um momento de puro êxtase, um momento de loucura, um momento de emoção, foi decretado ali a mais pura e verdadeira amizade entre duas pessoas, ali diante daquela platéia, foi consumado uma das melhores amizades entre dois seres-humanos. E Renato Russo, cover, mas Renato Russo, estava brilhantemente no palco... seria uma aparição? Talvez, estaria ele ali para ver João e Raimundo alucinados com as suas canções...
E assim como o original o corver ao termino se fez...
"Força Sempre!"


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 17:58:00
Março 25, 2007
Se queres saber, não quero mais...
Se queres saber, meu lugar é ser um Ser distante mesmo...
Se queres saber moro no Núcleo.
Se estou longe de minha família estou triste, mas estou bem.
Bem por partes, por que tenho quem me queira...
Se irei vencer não sei, creio que sim...
Pra vocês egocêntricos???
O que mais de um tchau...
Como diria Mario Prata:
"Desculpe o mal jeito...
Tchau."

É mais ou menos por ai...

Obrigado Zé, mais uma vez me salvou...
Com todas as honras


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 22:36:00
Janeiro 31, 2007
Todos


O medo, algo tão particular quando a dor,
O sexo, algo tão bom quanto uma vitória,
A morte, algo tão estranho quanto o amor,
A inexperiência, algo tão sombrio quando a amargura.

Estou submerso na prisão de Eufrates,
Almas e braços calejados, um fruto da derrota.
Perdido na obscuridade misturado aos trastes,
Sem forças para lutar, a derrota parece-me chegar.

Usurparam-me da alegria de viver,
Aonde estou não sei, onde me encontrar nem menos.
O Silencio que é de meia-hora dura uma eternidade.
O inimigo que era distante parece-me querer.

Estou caindo e nem menos sei onde parar,
Onde o meu mais intimo é Apolion...
Só agora já cansado é que percebo onde estou,
Em um lugar onde muitos chamam de solidão.


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 23:44:00
Outubro 26, 2006
Eu não sei quem foi...

É sempre no mesmo horário que desperta o meu despertador. Isso sendo de segunda a sexta, os dias que eu trabalho. Vida rotineira a minha, de acordar, ir ao banheiro e sempre no amanhecer ver aquele rosto quase sempre por barbear no espelho do banheiro, espelho pequeno como tudo em meu apartamento, espelho que reflete um rosto cansado, não de dormir, mas de rotina, eu acho. Sempre. Sempre a mesma coisa todo santo dia.
Já a mais ou menos uns cinco anos que faço isso rotineiramente: acordo; vou ao banheiro dou uma boa olhada no espelho, pego minha escova e escovo meus dentes. Há a rotina no trabalho também, mas prefiro não relatar, não gosto do meu emprego, gosto do dinheiro. É aquela coisa de fazer por grana, para viver. Viver uma vida de rotina, grande coisa... Dizem que a rotina atrapalha e muito a vida de uma pessoa, ainda mais ela estando com um parceiro; não tenho parceira, mas confesso que a rotina esta atrapalhando minha vida, devo estar ficado louco, não sei, estou cansado...
Chego em casa por volta as dezesseis e quarenta e três, moro mais ou menos perto do meu local de trabalho.
E foi mais ou menos numa hora dessas, quando estava eu chegando em casa, que notei que deveria estar ficando louco, ou muito estressado sei lá. A rotina é tanta que até mesmo o movimento de rodar a chave na fechadura da porta me incomoda, sempre: duas voltas para abri-la, para então eu poder entrar em minha casa. Exausto noto que há uma toalha no chão da sala. Costumo não tomar banho de manha quando acordo, tomo sempre antes de dormir, me ardem os olhos tomar banho pela manhã, não sei por que, mas o ardume é tanto que mal consigo enxergar alguma coisa dentro do box, mas isso só pela manha... não sei, pode ser por causa das remelas que meus olhos soltam. Mas o que me intriga é o fato da toalha estar no chão da sala, sou bem organizado, nunca faria tal coisa, o fato de eu morar sozinho implicou-me a ser um homem organizado. Mas a toalha esta ali, jogada e eu não sei quem a deixou ali.
Pois bem, não é estando ali sozinho que iria descobrir que a deixou no chão, poderia ser eu, poderia eu ter enxugado o rosto com ela logo pela manha na pressa de ir embora para o trabalho. Não uso essa toalha já algum tempo, ela costuma arranhar meu corpo com seus feltros, porém na hora da pressa devo ter apanhado ela sem ver... Mas deixar no chão, isso me deixa realmente intrigado... Vou guardá-la... antes pó-la para secar, ainda esta meia úmida. Não sei se poderia ficar tão úmida somente de eu ter enxugar meu rosto...
Estou exausto hoje, mais do que o comum, deve ser porque é sexta-feira, ainda bem que não trabalho amanha. Sentando no sofá de minha pequena sala, fumando um cigarro fico a olhar para o teto. Não tenho tevê, não gosto. Olhando para o teto vejo uma pequena rachadura, mínima... me pego a pensar na toalha, mas meu estomago interrompe meus pensamentos pedindo que eu ingerisse algo. Recorro à geladeira fiz alguma compra na semana passada e nela deverá ter algo para eu me alimentar, afinal é quase vinte horas e eu estou sem nada dês do almoço. Na geladeira começo a percorrer as prateleiras de baixo pra cima, gosto de olhar as partes de baixo, pois é onde se guardam as frutas e eu gosto de frutas. Frutas não encontro, as frutas que tanto quero, acabaram e eu nem vi. Percorrendo com os olhos as prateleiras de cima, noto algo que novamente me deixar intrigado, eu nunca em minhas compras costumo comprar cerveja, não que seja caro, não vejo graça em beber sozinho em casa, isso me irrita. Mas a cerveja esta ali, e é de uma marca que eu nunca apreciei uma marca estranha, importada. Nunca faria tal coisa. Para enganar o estomago a pego e dou uma boa golada, um pouco amarga demais essa cerveja, no momento em que bebi nem me dei por conta de como ela havia aparecido ali, devo estar mesmo estressado, ou será louco? Cerveja rui, nem termino de tomá-la e deixo na pia. A fome esta me matando então vou tomar um banho quente, vou comer algo fora de casa, algo que me sustente. Meu apartamento é pequeno, mas é de ótimo tamanho para mim, não gosto de ficar tendo que andar de cômodo em cômodo, ainda mais em apartamento, onde os vizinhos do andar de baixo devem-se sentir incomodado com o anda-anda, digo isto porque tenho passos pesados, às vezes incomoda até mesmo a mim. Mas isso não importa o que nesse pequeno percurso da cozinha até o banheiro me martela na cabeça é a toalha e a cerveja na geladeira. Pois bem depois penso nisso...
De fronte ao espelho noto que estou com olheiras, cansaço... Estresse, loucura... Vou me barbear, pois minha barba rala já esta começando a coçar, odeio quando isso acontece, pois sempre me deixa com a face avermelhada. No meu pequeno armário tem o que pode me ajudar a eliminar estes malditos pelos que me incomodam. Neste momento aparentemente esqueço um pouco da minha rotina, não sei se é por que é sexta, ou por que meus pensamentos estão em outras coisas (toalhas e cervejas).
Quando abro o pequeno armário me deparo com algo que me deixa ainda mais encafifado, algo estranho, que nunca pensei em usá-lo na vida. Encontro um barbeador elétrico. Não há possibilidade de eu usar um barbeador desse tipo, pois como disse minha barba é rala, não tem como eu usá-lo, e detalhe não me lembro de ter comprado, como esse aparelho haverá de aparecer em meu armário? Já nervoso o jogo no chão. Não é meu, e esta em minha casa, a cerveja não era minha e estava em minha geladeira. Desisto do banho, preciso pensar algo esta acontecendo aqui, algo que esta me deixando intrigado, nervoso, estressado (ainda mais)...
Dirijo para meu sofá, gosto de pensar sentando ou deitado nele. Acabo por preferir deitar, estou um pouco cansado, começo a pensar no que estaria acontecendo aqui em casa, quando sem mais nem menos acabo pegando no sono. Durmo...
Pego num sono pesado, quando olho no pulso esquerdo vejo à hora; já são quase três da manha. Mas espera... Eu não uso relógio, o fato de eu ser escravo das horas não me agrada, nem um pouco. Mas como? quem colocaria este relógio em meu punho, comigo trancado aqui em casa, quem? Assustado tiro-o de meu braço e jogo longe, não tão longe, pois como bem disse meu apartamento é pequeno, mas jogo-o com força ele bate na parede e cai no chão. Estou assustado agora, tem alguém em meu apartamento, alguém tentando me assustar, e esta conseguindo. Desnorteado, corro até a cozinha, preciso de ar, e é na cozinha, onde tem a maior janela e o ar entra por completo. Apesar de ter dormido quase sete horas ainda continuo cansado... E confesso, me sinto como se estivesse embriagado. Quando paro próximo a janela da cozinha, noto que a lata de cerveja que eu havia deixado sobre a pia já não esta mais lá... em seu lugar há um papel, um bilhete, de quem? Imediatamente, e tremendo o pego, inicio uma leitura, era um bilhete de alerta, um aviso, dizia: “Não mecha em minhas coisas, se acaso quer beber de minha cerveja, peça, obrigado ordinário”.
Ordinário? A cerveja estava dentro da minha geladeira e eu sou ordinário? Quem escreveu esse bilhete? O que há comigo? Estou louco... Cansado e aparentemente bêbado. Mas eu nem bebi, como pode isso... Abro a geladeira e noto que as demais latas de cerveja que estavam ali, juntamente com a que eu peguei já não estão mais. Estão elas todas vazias, no lixo... Como explicar isso? O que há?
Preciso de um banho, preciso me acalmar, o nervosismo só atrapalha nessas horas.
Chego ao banheiro e ao contrario do que eu achava que seria meu alivio, meu descanso, um banho; algo mais intrigante acontece, o barbeador que eu espatifara no chão estava todo aos pedaços em cima da pia, ao seu lado um outro bilhete: “Se vamos dividir a mesma casa, acho bom você respeitar meu espaço, eu não uso sua escova, por exemplo, e você bebe minha cerveja e quebra minhas coisas, corno, pare com isso”.
Corno eu? Mas o que...
Abro o armário e noto agora que há duas escovas de dente...
Estou doente, estou mal... Cansado...
Essa pessoa entra em minha casa quando adormeço, usa minhas coisas, ta certo que ele tem sua própria escova de dente, mas usa minha pasta dental e isso eu não admito. Preciso pensar...
Embriagado, meio sonolento tive a idéia de ligar e deixar ligado uma pequena filmadora que minha mãe havia me dado quando jovem, foi em um natal, não quero falar sobre esse natal; mas a pego, escondo-a e posiciono-a em direção a porta de entrada de meu apartamento o sujeito obviamente deve entrar por ali. Vou me deitar, estou com sono, deve ser por causa da bebedeira, mas eu nem bebi...
Durmo...
Acordo... novamente com um relógio no pulso e embaixo de sua pulseira entre meu braço um outro bilhete: “Maldito, o relógio era de estimação, por que você esta fazendo isso?
Saio correndo para pegar a filmadora, se a pessoa colocou o relógio em meu braço com um bilhete haverá de entrar em minha casa, agora eu iria saber quem era. Pego a fita, só espero que a fita não tenha acabado antes do sujeito entrar em minha casa.
Momentos, vários momentos de filmagem de uma porta imóvel, parada, fechada. Avanço a fita. É quando de repente vejo alguém passar... Mas esse alguém já esta dentro de minha casa, estaria ele escondido? Essa pessoa passa muito próxima a filmadora vejo somente suas pernas...
Esta voltando... vai sair... Saiu... De relance, quando a pessoa fecha a porta saindo de minha casa, da pra eu ver quem era.
Não acredito... Não pode ser...
Sou eu!


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 19:38:00
Outubro 18, 2006
Uma nova vida?!

Sim, poderia dizer que sim... Uma nova vida!
Mas com relação a que?
Faz tanto tempo que não escrevo que várias coisas aconteceram, coisas que nem vou dizer aqui (não compensam?), coisas que não tem importância.
Uma delas, esta creio que seja interessante onde se baseado escreverei essa crônica, é o fato de eu ter me mudado pra outra cidade. Sim, já não moro mais em minha pequena e pacata cidade a mais ou menos nove meses. Estou morando com minha irmã (Lígia), em uma cidade um pouco maior (muito maior), estamos dividindo um apartamento, ela estudando e eu após a formatura procurando um emprego na dura vida de um formado. Diga-se de passagem, depois de longos nove meses morando aqui, ainda não arrumei um emprego (esta mais difícil do que eu pensava).
Pois bem, acontece que morar fora de casa é algo novo, não somente pra mim como também pra minha irmã, dividir apartamento então nem se fala. Tarefas domesticas essas eu não divido, fica por conta dela fazer toda a aparte de limpeza da casa, eu por vezes cozinho. E em uma dessas cozinhadas eu me empolguei... com toda humildade do mundo digo-vos aqui que cheguei a pensar em me tornar um mestre cuca (isso sem precisar fazer curso, aprenderia tudo sozinho, na pratica). Sendo que a falta de emprego estava (ainda esta) martelando minha cabeça, e eu tendo que me ocupar de alguma forma, me tornar um cozinheiro seria algo interessante e consequentemente me traria um retorno financeiro (levo jeito). Éisso... Entrei na internet e comecei a procurar receitas, das mais simples ao melhores pratos franceses. Fiz algumas... obviamente comecei dos mais simples, saindo-me bem, com ótimos resultados (pratos simples deliciosos) me empolguei mais ainda, até o dia em que decidi preparar um risotto, o famoso Risotto Alla Milanese, se não me falhe a memória um prato italiano.
Telefonei pra minha mãe na tarde que se essa receita desse certo, eu entraria de cabeça no negocio de alimentação, pedi para ela se eu poderia fazer umas compras, pois estava com fome e queria comer algo diferente, havia visto uma receita de fácil preparo e queria tentar faze-la (menti), ela deixou sem problemas então fui, na calada da noite, ao supermercado, comprar coisas do tipo: vinha branco seco (precisei comprar um saca rolhas e um medidor de líquidos), açafrão (nunca ouvi falar disso), enfim a compra ficou em quase cinqüenta reais.
Chegando em casa era hora de por a mão na massa, comecei a seguir a receita, fiz tudo como exatamente foi mandado, não pulei etapa alguma, apenas no momento em que eudeveria acrescentar 50 ml de vinho (para esse fim eu havia comprado o medido), achei pouco, muito pouco, 50 ml era muito pouco, então por conta acabei colocando 250 ml, sendo que esses 200 ml a mais quase me impossibilitaram de continuar cozinhando, não sei por que, mas o cheiro do vinho com o arroz, a manteiga, a cebola e o caldo de carne, me trouxeram um odor horrível as narinas, tão horrível que quase não continuei a cozinhar. Mas de teimoso e imaginando que aquilo tudo fosse normal continuei... O segredo do risotto (me perdoe se eu estiver enganado, mas é o que dizia a receita, esta apanhada na internet, então não éuma fonte onde podemos dizer que é de extrema confiança) é não parar de mexer, foi o que eu fiz, nem um segundo até que o arroz ficasse mole (no ponto de comer) eu parei de mexer, adicionando água com caldo de carne consegui então, já com o braço doendo, fazer o arroz ficar no ponto. O cheiro forte do vinho ainda existia. Lembrei que li também na receita que o risotto haveria de ficar com um certo caldinho, uma melequinha... O meu não tinha. O meu risotto virou algo extremamente estranho, virara uma pasta amarela e dura... Resolvi eu mesmo me candidatar à cobaia e comer, duas garfadas foi o limite. Eu acabara de gastar quase cinqüenta reais para fazer um prato cujo qual não haveria possibilidade de ser ingerido por um ser humano. Não por um ser humano, mas o cachorro de minha irmã (sim, após alguns meses morando aqui, no AP, ela me arrumou um cachorro) teria de comer, fresco ele hein cachorrocomendo risotto, comeria por mais de uma semana risotto allá milanese. E foi então que eu coloquei uma boa colherada em sua vasilha, cheirou, cheirou, arriscou uma lambida, espirrou... Foi embora deitar no sofá. Nem o cachorro comeu meu risotto.Pensei em xingá-lo, obrigar a comer, bater, mas não, pensando bem seria isso um exagero de minha parte o prato além de estar horrível a sua aparência não agradara nem ao menos o cachorro.
É... Essa foi apenas uma, existem várias outras histórias na qual faço questão de relatar aqui. Mas por hoje vou parando. Vale lembrar que estou de volta para o mundo das crônicas...
Ah... Já se faz mais ou menos um mês que um amigo meu e também de minha irmã, esta morando conosco, este também veio tentar a sorte na cidade grande e confesso que vai me render ótimas sátiras. Juntos andamos pelas ruas praticamente o dia todo entregando currículos, procurando um emprego, agora imagine você... quando se passa o dia todo ao lado de um sujeito cômico, pode apostar, tenho boas histórias pra contar.
Morar sozinho, é legal, é gostoso, da certa liberdade, me sinto o homem da casa.


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 03:33:00
Outubro 07, 2006

A Última Crônica

Fernando Sabino

"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balc?o. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com ?xito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da conviv?ncia, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguiç?o do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noç?o do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". N?o sou poeta e estou sem assunto. Lanço ent?o um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenç?o de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus tr?s anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também ? mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Tr?s seres esquivos que comp?em em torno ? mesa a instituiç?o tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balc?o um pedaço de bolo sob a redoma. A m?e limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovaç?o do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atend?-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do fregu?s. O homem atrás do balc?o apanha a porç?o do bolo com a m?o, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou ? sua frente. Por que n?o começa a comer? Vejo que os tr?s, pai, m?e e filha, obedecem em torno ? mesa um discreto ritual. A m?e remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

S?o tr?s velinhas brancas, minúsculas, que a m?e espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente p?e-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra voc?, parabéns pra voc?..." Depois a m?e recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas m?os sôfregas e p?e-se a com?-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebraç?o. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."



Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 14:53:00
Outubro 05, 2006
Estou voltando....

Para Viver Um Grande Amor

Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentraç?o e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — n?o tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenç?o como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que n?o esteja apaixonado, pois quem n?o está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que n?o existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, n?o basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camar?es, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra n?o morrer de dor. É preciso um cuidado permanente n?o só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cort?s sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que n?o quer nada com o amor.
Mas tudo isso n?o adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada n?o se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.



Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 23:30:00
Maio 17, 2006
Autor: Sérgio Antunes
Publicação: Jornal Estado de São Paulo
Data: 22/09/1999.


Os prazeres de morar sozinho

O bom é morar sozinho. Chegar em casa à noite e encontrar o papelzinho amassado, com o endereço precioso que se deixou pela manhã. Mesmo que seja a manhã de terça da semana passada. Ou poder ligar o rádio, a tevê e ainda ouvir, ao mesmo tempo, o disco preferido – de vinil – além de não ter que dividir com ninguém a lâmina de barbear, especialmente com axilas alheias.

Quer coisa melhor do que assistir àqueles eloqüentes debates esportivos sem ninguém para reclamar? E luta de boxe, então? E comer biscoito na cama ou ficar horas no banheiro lendo o Estadão com ninguém batendo na porta?

Alguns dirão que sou egoísta. Ou avesso à família. Pode ser. O fato é que custei a compreender as delícias indescritíveis, as vantagens inenarráveis, os encantos indisfarçáveis de morar só. Família, é claro, faz falta. Família é como catapora. A gente tem quando é criança, mas carrega as marcas pelo resto da vida. Porém, para estar junto não é preciso morar junto. Até porque incompatibilidade de gênios entre parentes é cada um apertar de um jeito a pasta de dentes.

Os homens se acostumam com companhia. Tornam-se dependentes da atenção dos outros. Criança, o menino divide o quarto com os pais; cresce um pouco, divide com o irmão; rapaz, vai morar com os colegas de faculdade. Aí, irremediavelmente viciado, casa e vai dividir a casa, a cama e o guarda-roupa. Só depois, já separado, após noites insones, incontáveis incursões por bares singles e terríveis apuros tipo “e se ela usar palito, falar menas e pobrema amanhã quando acordar?”, aí o homem amadurece e descobre os encantos de morar só.

Morei uns tempos com um amigo. Não podia entender como é que ele, intelectual remanescente da geração do “é isso aí, bicho”, de repente se irritasse comigo, seu centenário amigo, só porque aparava o bigode na sacrossanta pia do seu banheiro. Ou usava o espelho do quarto, mudando a estratégica posição do reflexo, geometricamente preparada para as batalhas noturnas. Agora que sei das coisas, posso imaginar sua aflição e a de todos os desavisados que dão asilo a recém-separados ou caem no conto do vim passar só o fim de semana. Namorada nova, dizia um experiente solteirão, tem que exibir o CEP antes do exame de HIV. Afinal, casa é como carro: regula-se o retrovisor para nosso jeito de sentar.

É bom poder ir ao banheiro e deixar a porta aberta. Mas não é só. Fazer de sua casa um verdadeiro solar, sua toca e seu mundo, transformar aquelas paredes caiadas na sua verdadeira fortaleza, onde podem conviver suas idiossincrasias com papéis esparramados pelo chão, com testemunho apenas do criado mudo, mais mudo que o criado do Zorro, isto sim é que é morar bem.

Não pensem que estou fazendo apologia da bagunça. Ao contrário. Um amigo ermitão, avesso a qualquer rompante de dona-de-casa, espantou-me ao explicar os cuidados que deveria ter para não molhar o chão do banheiro, inclusive me ensinando truques de umedecer a beirada da cortina de plástico para grudá-la nos azulejos do boxe.

Eu mesmo tenho regras rígidas sobre a utilização dos apetrechos domésticos. A forma de abrir a caixa de leite ou o uso correto dos talheres. Quer dizer, tem faca que é só par descascar laranja, cortar pizza nem pensar. Minha casa, modéstia à parte, é organizada. Tem até samambaia. E área para fumantes.
“Quando em seu coração reina a paz, da menor casa num palácio se faz”, dizia a inscrição do pano de prato. Pode ser. Desde que a casa não seja construída pelo Sérgio Naya. E a gente more nela sozinho. Pelo menos, na maior parte do tempo.



Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 04:08:00
Fevereiro 13, 2006
Vendedor é vendedor, “mecânico” é “mecânico”e eu sou mais eu.

Olá, vamos direto ao que interessa...
Eu nessa minha vida de tecnologias – computadores – já ouvi de tudo. Várias asneiras no mundo do irc, vários comentários inocentes, coisas estúpidas, feitos marcantes.
Até então só risadas, de minha parte e de companheiros que junto comigo passam a madrugada tendo que aturar a inteligência alheia. Venho através dessa, com muita repulsa relatar o fato que acaba de me ocorrer, você assim como eu vai sentir vontade ao final desse texto dar risada, sair correndo, ficar indignado, matar!
Vamos começar do princípio. Eu mesmo que “ajeito” meu computador seja para formatar, instalar, hardware, tudo, se tem um problema, prefiro eu mesmo arrumar a ter que levar em uma oficina onde um “técnico” colocará suas delicadas mãos em cima do pobre computador. Porém o fato que me levou a ter que recorrer aos conhecimentos técnicos de um senhor “mecânico” de computador foi simplesmente o fato de o computador estar na garantia. Não é bem uma garantia, pois esse computador é fruto de um seguro que minha mãe tem da casa, após ter levado pau com meu antigo computador e após longos meses de espera para que o técnico pudesse enfim me liberar a maquina, eu a recebo de braços abertos, uma maquina nova em folha, sendo assim eu teria dois computadores, que massas um prato feito pra um nerd, jogos em redes, linux em rede, pesquisas, aprender. Porém a alegria acaba-se quando eu tento jogar um misero game de anos atrás na minha singela rede, e o computador, novo, trava. Teste e mais teste acabo descobrindo que o computador não suporta rodar qualquer tipo de game, seja uma simples rom de snes, não bastasse o meu novo computador também não roda vídeo, seja lá qual for, ou seja problema na placa de vídeo, esta é on-board, ou seja problema na placa mãe. Testes teriam que ser feitos, uma placa de vídeo off-board poderia ser instalada para ver se continuaria travando. Poderia ser o processador também, mas este estava com sua temperatura normal, é a placa de vídeo...
Algum tempo se passou e eu na minha preguiça não levei o pobre computador para o técnico “arrumar”, até o dia em que o mesmo veio nos cobrar... “Ótimo, pagarei, mas antes você tem que arrumar isso”. A resposta foi imediata que arrumaria. Levei o computador já diagnosticado, mas com o aviso para testá-lo, eu poderia estar errado...
Poucos dias se passam e em uma tarde de sol eu recebo um telefonema do meu ilustre “mecânico” este com um sotaque meio que nordestino me diz:
“O rapaí, o computadoR fico ligado o dia todo aqui bicho e nada dele trava...”
Eu, ainda calmo:
“Ah sim, mas só ligado ele não trava, tente processar alguma coisa mais pesada, um jogo, abre o jogo ai.”
Ele:
“Então bichinho, mas vo te fala hein, esse computadoR aqui né pra roda gaime não viu...”
Eu, começando a me irritar:
“Ah sim, eu sei, mas esse game é um game já antigo e rodava até no meu antigo computador, no K6 2 – 500, se não roda nesse pode parar.”
Ele:
“Oxi... Sei não viu...”
Eu, já com vontade de morder o telefone:
“Faz o seguinte então... Abre qualquer tipo de vídeo ai, ele vai travar, ele não agüenta com nada de imagem, ou seja, deve ser placa de vídeo”.
Ele:
“Beléx então, vo da uma oiáda já te ligo”.

E não ligou mais...
Hoje, uma semana depois o dono da loja, esse sim com um conhecimento já mais apurado me liga pedindo para que eu levasse o CD da placa mãe, que precisou reinstalar o Window$. Eu de imediato pensei no que seria mais provável o esperto formatou o computador pensando ingenuamente que o problema iria ser resolvido...
Levei o CD até a loja. Quando chego me deparo com o rapaz do sotaque, este estava segurando uma criança o colo um moleque que mais parecia estar dormindo. Dei a ele o CD e quando ia virando as costas para ir embora ele me diz:
“Quem é que mexia nesse computadoR ai?”
Eu:
“Eu mesmo por que?”
Amigos, peço desculpa pela falta de “experiência” desse sujeito, o que vai ler a seguir vai lhe da vontade de sair correndo, matar ou dar risada, exatamente como aconteceu comigo. Ao responder a minha pergunta meu amador “mecânico” vira e me diz:
“Ué por quê? Porque ele ta com seis partição no HDê, assim não roda nada mémo, ai trava.”
Eu assustado:
“Ah, é porque ta partição pra Linux ai tem que deixar uma partição pra Swap e outra para o Sistema Operacional. No caso do Window$ há duas a C: para o Sistema e a D: para programas.”
Ele:
“Ahhh vapu... Isso não existe não nunca vi isso, que isso seis partição... Ai não roda nada”
Eu:
“Seis nada quatro, no máximo cinco que pode ser que eu tenha feito algo errado.”

Moral ta história, nosso amado “mecânico” acha que computador com varias partição trava... Belo “mecânico”... é por essas e outras que eu prefiro levar choque arrumando aqui em casa do que ter que ouvir isso, nunca mais quero ter que ouvir isso...
Só estou pensando na hora de ir buscar, falou que ia me ligar quando terminasse de instalar o Window$, já faz mais de duas horas e nada, provavelmente o computador continuo travando...
Mereço...


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 16:54:00
Janeiro 24, 2006
Sátira de um Copiador
Mauricio de Sousa e Reberson (Eco) que me perdoem, mas essa tirinha eu mesmo desenhei e escrevi...
Um trabalho Alá Millôr, salve meu mestre...



Obrigado e até mais...


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 15:24:00
Dezembro 15, 2005
Crut... Chucruti... Cruzes...

Eu não sou um crítico... Pelo menos em minhas “crônicas”, pessoalmente eu me considero um critico, e quem tem sempre que ouvir minhas críticas é minha namorada, e sempre (com razão) ela reclama, critico sobre tudo, banda, pessoas, coisas, noites, lugares, enfim, tudo. Não que eu queira, mas sou assim.
Uma coisa que tinha em mim era não escrever sobre críticas, por que com diz minha namorada, critico sobre tudo e sempre sem razão. Mas hoje não da, hoje tenho que escrever sobre o que acabo de ver. Estava sem idéia pra escrever no Blog, tenho alguma coisa em mente, mas nada que renda uma boa “crônica” (será que essa vai ser boa?), mas vamos lá estava eu aqui em casa sem nada pra fazer, numa quinta-feira à tarde quando resolvi assistir TV. Um programa que gosto muito de ver, mas minha irmã sempre proíbe é o Sem Censura, e neste dia esta o Paulinho Moska, a tarde estaria salva. Porém na mesa “redonda” não era a vez do Moska ser entrevistado. Foi então que eu caí na besteira de dar uma “zapeada” pelos canais, quando me deparo com:

“Chucrut... Chucrut... Bum... Chucrut... Chucrut… Bum…”

Essa era a música que uma pessoa cantava, destinada às crianças. No “palco” um jacaré e uma onça se não me engano, faziam parte da palhaçada. O detalhe que parei e assisti essa “apresentação” de bobagem foi que a interprete estava com uma “micro-saia”, quase mostrando a calcinha, mas a apresentação terminou e ela ficou no quase, quase que eu e toda a criançada que estava assistindo vimos à sua calcinha, que cor seria? Não é de se espantar, pelo menos em partes, tudo bem que criança gosta de bichinhos de pelúcia (jacaré e a possível onça) e tudo mais, mas quase mostrar a calcinha doeu... Será que estava de calcinha? doeu pelo fato de deixar no quase, se mostrasse era melhor, pelo menos talvez eu não escreveria essa. Lembro que essa mesma pessoa em um ano que não me lembro qual, saiu na capa de uma revista masculina, no mês de dezembro, junto com um Papai Noel, essa doeu mais ainda. Já pensou se os “baixinhos” dessa nossa talvez futura princesa ao verem nas bancas ela, a loirinha que canta Chucrut (na época eu acho que não cantava) e acompanhada de um Papai Noel, o escândalo que não iam fazer para os pais comprarem a revista? Chucrut a parte, eu não gostaria de dar uma revista masculina para um filho de oito anos de idade.
Deve ser complicado para um pai ver o filho assistindo ao Chucrut com uma mulheraça quase mostrando a calcinha. Outra coisa interessante é uma outra apresentadora, que já passou da idade de aposentar e esta ainda cultivando seus baixinhos, eu acho que esta os cultivando para a filhinha, essa sim vai ser a princesa, cai fora Chucrut, essa você perdeu.

Bom é isso... Estou ouvindo a TV e escrevendo e estão falando o nome do Moska, acho que agora é a vez dele, vou lá...
Muito ChucrusBeijos e até a próxima...


Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 17:31:00
Novembro 25, 2005
O Bigulim do Haroldo – o Haroldinho

Não, eu não escrevi errado, o Bigulim é realmente Bigulim, pelo menos no caso de nosso amiguinho Haroldo...
Haroldo nasceu em uma pacata cidade do interior paulista, onde as maiorias das pessoas se conhecem, assim sendo, se Clarice esta grávida logo todos sabem, se Ademar é um bêbado mesmo sendo pai de família nunca será novidade. Nosso Haroldinho vivera e aprendera a se defender em meio a tal recôncavo. Se defender...
Filho caçula dos Bigulim, Haroldo era o menos esperado, fruto de algo que não se sabe como, fora fertilizado no bucho da mãe de maneira que pegara todos de surpresa e após longos sete meses de menstruação atrasada vem ao mundo o mirrado Haroldo, desde já apelidado de Haroldinho pelo irmão mais velho. Tal notícia percorre a cidade e a família Bigulim, alguns se espantam, outros entendem, uns defendem e outros vão a sua visita ainda no hospital. Chacotas eram acompanhadas de risadagem essas sem pudor a serem escondidas. Podre Haroldo...
No dia em que completaria seu primeiro ano de vida nosso amiguinho iria enfrentar algo que não estava nas suas expectativas. Babando em seu berço como era de costume, nos primeiros raios do qual deveria ser um dia de comemorações Haroldo aguarda... Espera... Com seus olhinhos abertos olhando fixamente para a Vaca Preta pregada no teto fica ele mais sua baba na expectativa de que alguém em algum momento invada seu pequeno quartinho, no qual era uma dispensa, aos berros e cantando... Mas nada disso acontece. O pobre sabia de certa forma que aquele dia era o dia dele, sabia de qualquer forma que era uma ocasião especial, porém mal sabia que tal dia inevitavelmente cairia em um domingo. E domingo você assim como eu sabe que é o dia em que podemos dormir até mais tarde, é o dia que deixamos o jornal no portão até depois do almoço, é o dia do nosso merecido descanso e nada nem ninguém tiraria os Bigulim da cama nesse dia, nada... E assim, o primeiro ano de vida de nosso pequeno protótipo de gente passa despercebido, lembrado somente no dia seguinte, mas que no corre-corre rotineiro o infeliz recebe somente alguns afagos na cabeça, acompanhados de: “Feliz aniversario Haroldinho...”.
Os anos passam e nosso pequeno, nessa altura de sua vida já com o primeiro sinal de uma vida infeliz, tem o primeiro dia de escola (logo irão saber qual o primeiro sinal no qual falei). Haroldinho esta inquieto, primeiro que todos levanta da cama e sozinho se arruma e escova os dentes... Não dera o trabalho à mãe como de costume, estava eufórico para ter o primeiro dia de aula: novos amiguinhos, novos conhecimentos, novidades, algo de bom pra fazer. E lá foi naquela manhã nublada de fevereiro o pequeno, apenas ele, sozinho com um guarda-chuva e uma sacola em punho; com o guarda-chuva se protegia dos primeiros pingos daquela manha e com a sacola, levara o lanche para a hora do intervalo, a sacola nada mais era do que algo improvisado pela mãe que acabara por esquecer de comprar uma lancheira como a dos demais amiguinhos.
E como o mais azarado dos meninos Haroldo, naquele que seria o grande dia de sua vida (mais um), chega como um pinto molhando no local em que passaria grande parte de sua vida, a escola. Meio que perdido, meio que assustado, desnorteado se põe a chorar agarrado com a sacola no meio dos corredores da escola. O pão que ali continha após litros de água passa a se tornar algo coloidal de cor bege claro, uma sopa, quanto ao guarda-chuva, nem mesmo se lembrava que saiu de casa com um... A situação se tornava catastrófica não era comum ver um moleque todo molhado, com um saco branco escorrido pelo peito no qual segurava com as duas mãos, com uma cabeça grande e com lagrimas nos olhos. Muitos olhavam com pena, mas a grande maioria ria as gargalhadas...
Após cinco minutos que com certeza marcaram para sempre a vida do menino, dona Maria Inácia vem ao seu socorro. Com um pano envolve o pequeno e leva-o para a sala da diretoria, onde recebe tratos para poder então ir à sala de aula. Não se assuste você ao imaginar uma criança de seis para sete anos ir ao seu primeiro dia de aula na escola sozinha, não era o feitio da mãe, ambos os irmãos de Haroldo foram acompanhado ate mesmo do pai no primeiro dia de aula, porém nesse dia, o dia do nosso notável eles não puderam ir, motivo não qual não sei. Já seco e conformado com o episódio era hora de ir para a classe, conhecer seus novos amiguinhos... E lá foi acompanhado de dona Maria, que no momento em que chegam a sala de aula, o professor José estava na dinâmica de “como você chama?”. Alguns que ali estudavam o reconhecerão do corredor e com risinhos escondidos tapados com as mãos tentavam ao máximo disfarçar, em vão, pois Haroldinho nota...
O professor com sua diplomacia costumeira e já sabendo do ocorrido, ao vê-lo tenta animá-lo, dando-lhe a oportunidade de dizer para a classe: “Como é o seu nome caro amiguinho?” Abalado psicologicamente, da uma olhada superficial pela sala e nota que todos ali o encaram e alguns com um risinho no rosto aguardam, mas aguardam o que?
- Haroldo... – Diz muito tímido...
- Pois bem, – O professo Zé com uma de suas mãos na “cabecinha” do novo individuo ali presente – Haroldo de que?
- É... Bigulim...
Ao mesmo tempo em que todos ali começaram a gargalhar o cabeçudinho que era o centro das atenções se põe a chorar aos berros, desesperado olha para o professor com o intuito de ser mais uma vez socorrido, este não se contem e junto com a turma esta rindo... Todos rindo dele, todos... Ate mesmo o professor, ate mesmo dona Maria... Que dia traumático para nosso pobre, que dia triste. Após esse dia foram raros os dias em que Haroldo ia à escola, faltava muito e com suas faltas vieram às reprovações... Era considerado o mais velho da turma do segundo ano, já era a terceira vez que fazia o mesmo segundo ano...
E dentro daquele que deveria ser um coraçãozinho cheio de alegria e paz, o destino de uma pobre criança muda completamente como pode constatar nos episódios que se seguiram.
Hoje há relatos que nosso herói após incansáveis anos letivos (mais do que o comum, um pouco mais do que você imagina), esta cursando uma faculdade para poder ser alguém na vida... Hoje já não sofre mais tanta rejeição dos pais e é bem vindo... Tem alguns amigos, pelo menos gosta de dizer que tem, fuma e bebe como ninguém... E é também hoje que nosso Haroldinho é o centro das atenções, não como bode expiatório, como nos anos anteriores, mas com o mais engraçadinho da turma, tivera que se virar e arrumar um meio de tapar um passado desgraçado e para disfarçar o que certamente foi uma vida de magoa e de tristezas, devidamente ao seu modo de pensar e agir combinado ao seu terrível sobrenome, Haroldo não se deixa ser zombado e sim é o zombador...
E assim se vai levando... Levando com medo de que seus “amigos” um dia descubram seu terrível passado.



Por:
Rodrigo Viana <viana@peleosso.org> - Post in: 01:40:00

Cadastre!!!


Cadastre-se e receba meus Posts diretamente em seu e-mail

Rodrigo Viana 2003-2009